Uma das estratégias definidoras do sucesso de marcas, enquanto produtoras de conteúdo e entretenimento, é a utilização do “Branded Content”. Um termo já conhecido no mercado publicitário, mas dependendo da forma como é aplicado à comunicação das empresas, perde o sentido no âmbito prático.

Resumidamente, significa um conteúdo original e que tenha características e ações da marca envolvida, seja uma campanha, uma ação pontual ou uma produção audiovisual. É mais do que a empresa e seu produto se comunicando, é um diálogo mais próximo e transformador. Transformar e impactar a vida dos consumidores é premissa estrutural de uma ação de marketing, mas há possibilidades desse objetivo ser comprometido quando a conexão da mensagem não é feita de uma maneira efetiva.

Pense em uma ponte: de um lado, o emissor da mensagem e no outro lado, o receptor. A mensagem (conteúdo) é quem percorre todo o trajeto para atingir o receptor. Atualmente, não trabalhamos somente com a mensagem, mas também com a ponte. Definir como o conteúdo chegará é um passo anterior a definir seu tipo.

Entretenimento e conteúdo são aliados

É importante notar, em análises e estudos publicados por empresas e organizações essenciais do meio da publicidade, marketing e negócios, que o conteúdo enquanto entretenimento virou uma peça-chave não só na aquisição de um perfil mais jovem e digital da sociedade, como também na retenção e fidelização do mesmo.

Empresas conceituadas como “unicórnio”, por exemplo, não são avaliadas em mais de R$ 1 bi de reais em pouco tempo por acaso. Um serviço impactante e transformador nas ações cotidianas da sociedade se destaca não só pela funcionalidade, mas em como a comunicação entre usuário e serviço/produto – e por consequência, sua marca idealizadora -, é realizada.

Tendência no marketing digital

Em uma pesquisa publicada em maio de 2019, realizada pela Havas, foi revelado que 83% de consumidores têm o entretenimento como um item fundamental em seu dia a dia. Esse estudo, chamado “Presumer Reports” analisa tendências de comportamento consumista e cultural.

O consumo do entretenimento nunca esteve mais dinâmico e imediatista como agora. E a forma como ele é consumido nunca esteve tão facilitada através das adaptações tecnológicas, de novas ferramentas com soluções cada vez mais simples e com cenários de interação maiores e mais simplificados.

É uma jornada de consumo que impacta diretamente em como este consumidor irá se relacionar a todo tipo de conteúdo. A informação não está “morta”, só mudou sua forma de ser consumida,, assim como as linguagens usadas para apresentá-la.

Diálogo Millennial

Por mais que haja uma certa carga pejorativa em classificar o perfil deste público e suas maneiras de absorver conteúdo e entreter-se, não pode em ser descartado. Esse mesmo público é o que determinará o rumo da disponibilização de conteúdo e seu consumo pelos próximos 20, 30 anos.

E as marcas necessitam conversar e serem atraentes nesse cenário. Não é trocar os valores da empresa radicalmente, mas viabilizar um comportamento digital mais confortável. Não é ser displicente, mas despojar-se do convencional. Claro que são ações que demandam tempo, recursos e mudanças comportamentais.

No entanto, um jovem que pode vir a ser um consumidor quando se atrela cada vez mais a conexões simplificadas e ferramentas práticas. Atualmente, a essência de um serviço e produto de resolver um problema é mutável às necessidades dos grupos sociais.

Saiba o que eles sabem

A disposição de conhecimento está intrinsecamente ligada às maneiras de consumir o entretenimento e conteúdo. Seja produzido por marcas ou não, essa fonte de informações está ligada a uma grande variedade de debates  e discussões. Isso ocorre justamente porque a compreensão do público envolve entender quais são as necessidades dele hoje.

E tais necessidades, fundamentadas pela pesquisa citada e por tantas outras, também estão inseridas no âmbito social. Um posicionamento por parte do conteúdo da marca em relação à pautas sociais como Direitos Humanos, valorização da mulher nos espaços públicos e corporativos, representatividade e voz para o público LGBTQ+, para o público negro, etc; deve ter como objetivo a humanização e conscientização desses debates.

Um público exigente quanto à essas pautas, ciente de suas características pessoais, também faz parte da sua gama de consumidores e buscam ser representados e incluídos nestes tipos de conteúdo e entretenimento. Humanizar a sociedade, em uma análise precisa e ampla, é fundamental para que seu “branded content” seja mais do que isso. E é muito importante que isso aconteça, para que sua marca se estabilize no mercado.